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Quais empresas precisam elaborar relatórios de sustentabilidade?
Postado em: 3 de março de 2026

Os relatórios de sustentabilidade deixaram de ser apenas uma tendência para se tornarem parte estratégica da gestão empresarial. Eles reúnem informações sobre riscos, oportunidades, metas e resultados relacionados a aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG), oferecendo transparência a investidores, clientes, fornecedores, colaboradores e à sociedade.
Mas afinal, quais empresas realmente precisam elaborar esse tipo de relatório?
A resposta envolve dois pontos principais: a exigência legal e a pressão do mercado.
A força do mercado
Mesmo quando não há imposição normativa, o mercado exerce um papel decisivo.
Investidores, instituições financeiras, grandes clientes e parceiros comerciais têm ampliado suas exigências quanto à transparência ESG. Antes de investir ou contratar, muitos stakeholders querem entender como a empresa gerencia seus impactos ambientais, suas práticas sociais e seus mecanismos de governança.
Na prática, isso significa que:
- Investidores avaliam riscos climáticos, regulatórios e reputacionais.
- Bancos consideram critérios socioambientais na concessão de crédito.
- Grandes empresas exigem informações ESG de fornecedores.
- Consumidores valorizam marcas mais transparentes e responsáveis.
- Dessa forma, mesmo sem obrigação legal, a ausência de um relatório estruturado pode representar perda de competitividade, dificuldade de acesso a capital e fragilidade na reputação.
Mas essa não é a única variável em jogo.
O que a legislação exige?
Sob o ponto de vista jurídico, a obrigatoriedade ainda não é ampla. Hoje, a exigência formal se aplica a grupos específicos de empresas.
Um exemplo é a Lei nº 13.303/2016, conhecida como Lei das Estatais, que determina que empresas públicas e sociedades de economia mista publiquem anualmente relatório integrado ou de sustentabilidade como parte das suas obrigações de transparência.
Outro marco importante é a Resolução CVM nº 193/2023, da Comissão de Valores Mobiliários, que estabelece que companhias abertas deverão elaborar e divulgar relatórios de sustentabilidade a partir de 2026, com exigência de auditoria independente.
Ou seja, do ponto de vista estritamente legal, a obrigatoriedade ainda atinge uma parcela reduzida das empresas, principalmente estatais e companhias listadas na bolsa.
Por que o relatório se tornou estratégico?
Os relatórios de sustentabilidade não servem apenas para cumprir regras. Eles organizam informações essenciais para a tomada de decisão, ajudam a identificar riscos futuros e orientam a definição de metas claras.
Além disso, fortalecem a confiança com stakeholders e consolidam a posição da empresa no mercado no curto, médio e longo prazo.
Inclusive, as próprias normas que hoje tornam o relatório obrigatório para determinados setores surgiram justamente pelo reconhecimento da sua relevância estratégica para o mercado.
Afinal, quem deve elaborar?
Se considerarmos apenas a lei, a resposta é: algumas empresas específicas.
Mas se analisarmos sob a ótica estratégica e de mercado, a resposta é muito mais ampla: praticamente todas as empresas se beneficiam — e cada vez mais precisam — estruturar e divulgar informações sobre sustentabilidade.
Não se trata apenas de obrigação. Trata-se de posicionamento, gestão de riscos e visão de futuro.
Empresas que desejam crescer de forma sólida e competitiva precisam incorporar a transparência ESG como parte central da sua estratégia. O relatório de sustentabilidade, nesse contexto, deixa de ser um diferencial e passa a ser uma ferramenta essencial de gestão e credibilidade.


